sexta-feira, 27 de abril de 2018

Um momento histórico: os líderes das duas Coreias se encontram

Kim Jong-Un e Moon Jae-In apertam as mãos em momento histórico
(foto: Reuters)

O mundo foi surpreendido com um encontro que, até a noite desta quinta-feira (26, horário de Brasília; manhã de sexta, 27, na península coreana), era inimaginável: o ditador norte-coreano Kim Jong-Un e o presidente sul-coreano Moon Jae-In reuniram-se em Panmunjon, na fronteira entre as duas Coreias - a chamada 'Zona Desmilitarizada'.
É o primeiro encontro em anos entre os líderes das duas Coreias - e é a primeira vez em mais de 65 anos que um líder da Coreia do Norte cruza a fronteira para o sul.
Um encontro que pode indicar um caminho para, enfim, selar a paz entre os dois países.


De acordo com um porta-voz do governo de Seul, os principais temas do encontro foram a desnuclearização da península coreana e a melhoria das relações entre os dois países.
Mesmo com o fim da Guerra da Coreia (1950-1953), um acordo de paz nunca foi realizado de forma efetiva - apenas um tratado de cessar-fogo foi assinado na época.

Os dois líderes se encontraram bem na divisa entre as duas Coreias, onde apertaram as mãos e posaram para fotos, e Moon Jae-In pisou rapidamente no lado norte da fronteira, a convite de Kim Jong-Un.
Logo depois, os dois líderes cruzaram para o lado sul e foram escoltados por uma guarda de honra até a Casa da Paz (Peace House), onde foi assinado o cessar-fogo entre os dois países, em 1953.
Ali, Kim Jong-Un assinou um livro de visitas, escrevendo as seguintes palavras: "Uma nova história começa agora - no ponto inicial da história e na era da paz".

Os dois líderes caminham escoltados por uma guarda de honra
(foto: EPA)

Durante o encontro, os dois líderes plantaram uma árvore - um pinheiro nascido no ano da assinatura do cessar-fogo (1953).
Ao pé da árvore, foi colocada uma pedra com os nomes dos dois líderes e a frase: "plante paz e prosperidade".

Após o encontro, ambos os líderes afirmaram que trabalharão em conjunto para acabar com as armas nucleares e efetivar de vez a paz na região, transformando o cessar-fogo assinado em 1953 em um acordo de paz definitivo.
Segundo a agência de notícias norte-coreana KCNA, Kim Jong-Un "pretende discutir de coração aberto com o presidente Moon Jae-In todas as questões com objetivo de melhorar as relações entre as Coreias e alcançar a paz, a prosperidade e a reunificação da península coreana". E de acordo com um porta-voz de Seul, o líder norte-coreano disse a Moon Jae-In que "está disposto a visitá-lo em Seul a qualquer momento que for convidado".

Os dois líderes plantam uma árvore na Zona Desmilitarizada
(foto: Reuters)

Eis aqui um encontro que, até poucos meses atrás, era absolutamente impensável, considerando-se as tensões constantes dentro da península coreana, com sucessivos testes de mísseis e armas nucleares por parte do regime de Pyongyang.
No início deste ano, Kim Jong-Un começou a mudar o tom: em seu discurso de ano novo, afirmou estar disposto a dialogar com o governo do sul e tentar uma reaproximação.
Em fevereiro, uma delegação do norte foi enviada para disputar a Olimpíada de Inverno de Pyeongchang - as duas Coreias desfilaram sob a mesma bandeira na cerimônia de abertura do evento; durante os jogos, um time formado por atletas do sul e do norte disputou a competição do hóquei no gelo feminino.


O fato mais recente que contribuiu para este cenário de reconciliação foi o anúncio no último dia 21 por parte do regime de Pyongyang de que os testes com armas nucleares seriam suspensos.
Além disso, Kim Jong-Un pretende reunir-se com o presidente dos EUA, Donald Trump, entre o final de maio e o começo de junho - as datas e o local deste encontro ainda serão definidos.

Levando-se em conta o retrospecto das relações entre as duas Coreias - e também a relação conturbada da Coreia do Norte com o resto do mundo - fica impossível chegar a qualquer conclusão.
Kim Jong-Un sempre se mostrou como um líder intransigente, impulsivo e disposto a qualquer coisa para atingir seus objetivos - a recente troca de farpas entre o ditador norte-coreano e Donald Trump mostra bem isso.
Mas não dá pra negar que, com esse encontro, um grande passo em direção a paz foi dado. Resta saber até que ponto estas negociações irão chegar.

A península coreana é uma região sofrida e marcada por décadas de tensão - e sobretudo, pela guerra que nunca acabou de fato.
É um canto do mundo que sem dúvida merece a paz, mais do que qualquer outro.

Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.


(Fontes: G1, BBC)

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