quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Exposição no MIS-SP mostra a trajetória de Renato Russo

(fotos: Daniel Ramos)

No último dia 09 (terça-feira), visitei a exposição que fala sobre a vida e a carreira do cantor e compositor Renato Russo, no Museu da Imagem e do Som de São Paulo.
E vou dizer uma coisa pra vocês: vocês não têm ideia da grandiosidade dessa exposição!
Estão reunidos ali cerca de mil itens, desde fotos de família, objetos pessoais, peças de roupa, rascunhos e letras de músicas originais, instrumentos, prêmios... enfim, TUDO que você possa imaginar relacionado ao líder do lendário e antológico grupo de rock Legião Urbana está ali.
Todos estes itens estavam dentro do apartamento do cantor, em Ipanema (zona sul da capital fluminense), e foram colocados à disposição do MIS por Giuliano Manfredini, único filho do cantor.



SOBRE O CANTOR


Renato Russo durante apresentação no Metropolitan (RJ), em 1994
(foto: Acervo Renato Russo)

Renato Manfredini Junior - ou Renato Russo, nome artístico que adotou em homenagem ao filósofo inglês Bertrand Russell e aos franceses Jean-Jacques Rousseau (também filósofo) e Henri Rousseau (pintor) - é considerado um dos grandes nomes da música brasileira, e tornou-se célebre por ser o vocalista, fundador e líder da banda de rock Legião Urbana, que fez muito sucesso entre as décadas de 1980 e 1990; antes do Legião, Renato fez parte de uma outra banda, a Aborto Elétrico, no final da década de 1970.
À frente do Legião Urbana, gravou sete álbuns de estúdio e um álbum ao vivo; gravou ainda dois álbuns solo e cantou ao lado de nomes como Adriana Calcanhoto, Dorival Caymmi, Marisa Monte, Cássia Eller e outros.
Renato morreu em outubro de 1996, no Rio de Janeiro, devido a complicações decorrentes do vírus HIV - o vírus da AIDS.



A EXPOSIÇÃO

Mil itens foram selecionados para compor a exposição em
homenagem a Renato Russo


Logo de cara, você se depara com uma das principais fontes da qual Renato Russo bebeu: o cenário do movimento punk do final da década de 1970 - no corredor que dá acesso à sala principal da exposição, se vê posters e cartazes de muitos artistas e bandas influentes da época e do movimento: Sex Pistols, Joy Division, Ramones, Velvet Underground, além de nomes já consagrados, como Rolling Stones, Bob Dylan, Lou Reed, entre outros.
Além disso, referências à Brasília (onde surgiram o Legião Urbana e outros grupos de rock nacional que fizeram sucesso na década de 1980) e trechos da letra de "Que País é Esse", uma das grandes composições de Renato.

Entrada da exposição: referências ao rock n'roll, ao movimento punk
e à Brasília, onde Renato começou a carreira musical

Saindo desse corredor, temos um contato com os primeiros anos da vida de Renato: fotos de família, boletins e cadernos de escola, convites de primeira comunhão... enfim, muitas lembranças de infância podem ser vistas aqui.

Algumas fotos de família de Renato Russo

Em seguida, entramos na maturidade do cantor. Renato nasceu no Rio de Janeiro, mas mudou-se para Brasília com a família na adolescência - e foi na capital federal que ele se formou em Comunicação Social pelo CEUB (Centro Universitário de Brasília) e deu seus primeiros passos no mundo da música.
Uma curiosidade: antes de estourar com o Legião, Renato foi ainda repórter de um programa de TV do Ministério da Agricultura e locutor de rádio (apresentava um programa dedicado aos Beatles!).
Nesta parte, além de cadernos e trabalhos da faculdade, vemos aqui também algumas das primeiras composições de Renato, como a célebre "Que País é Esse?", que anos depois, viria a se tornar um dos grandes hits do Legião.

Aliás... o que não falta nesta exposição são rascunhos e letras originais das músicas do Legião, além dos planejamentos e setlists dos álbuns da banda. Dá para observar todo o processo criativo de Renato - em alguns casos, um único rascunho gerava duas ou mais músicas!
Além disso, cartazes e propagandas de shows da época também podem ser vistos - tem até mesmo o cartaz do polêmico e controverso show do Legião Urbana no estádio Mané Garrincha, em Brasília, em junho de 1988, que ficou marcado por muitas confusões e tumultos. A partir de então, o Legião não se apresentou mais na capital federal.

Rascunho da música "Tempo Perdido": um dos muitos
manuscritos presentes na exposição


Cartaz do polêmico show do Legião no
Mané Garrincha, realizado em junho de 1988


Muito da intimidade do cantor pode ser visto nesta exposição. Roupas e objetos pessoais do cantor, usados tanto em shows quanto no seu dia-a-dia, também estão disponíveis ao vislumbre do público: camisas, objetos de decoração, posters, quadros que reproduziam obras de arte, itens de escritório, diários... até mesmo itens ligados a misticismo e religiosidade, como livros esotéricos e baralhos de tarô (que Renato costumava consultar com uma certa frequência) e imagens de anjos que decoravam seu apartamento.
Um dos itens que mais me chamou a atenção foi uma bata, que Renato usou durante um show do Legião Urbana na antiga casa de shows Metropolitan, no Rio de Janeiro, em 1994, que fazia parte da turnê do álbum O Descobrimento do Brasil.

Bata usada pelo cantor em apresentação no
Metropolitan (RJ) em 1994

Camisetas usadas por Renato em seu dia-a-dia

Muitos prêmios que o cantor ganhou junto com o Legião Urbana também podem ser vistos - um destaque que eu dou aqui é o disco de platina duplo, conquistado com a venda de 500 mil cópias do álbum As Quatro Estações (1989).

Disco de platina duplo conquistado com a venda de 500 mil cópias
do álbum
As Quatro Estações (1989)

Há muita coisa - mas digo, muita coisa MESMO - a ser explorada nessa exposição. Cada segundo ali dentro é válido.
Renato Russo era um artista com um talento inigualável - tanto que sua obra perdura e se mantém atual até os dias de hoje (quem já ouviu "Que País é Esse", por exemplo, sabe bem do que estou falando).
Letras inteligentes, sensíveis, muitas vezes incisivas, mescladas a uma voz profunda e penetrante, foram as marcas registradas de Renato e do Legião Urbana durante toda a sua trajetória.
De longe, esta é uma das melhores exposições que já visitei - é importante manter viva a memória de nossos ídolos do passado, e mais importante ainda que as próximas gerações tomem conhecimento de histórias de vida e obras como as de Renato Russo.
Ainda mais em épocas como a nossa, onde vemos muitos "artistas" e músicas de gosto duvidoso (pra dizer o mínimo) fazendo sucesso por aí.

Devido ao grande sucesso de público, a exposição, que iria até o dia 28 deste mês, foi prorrogada até o dia 18/02. É uma exposição que, sem dúvida, vale a visita!

Cartazes de apresentações do Legião Urbana e de outras bandas,
do início da década de 1980


Exposição 'Renato Russo'

Data: até 18/02 (prorrogada)
Horário: terça a sábado, das 10 às 21hs; domingos e feriados, das 09 às 19hs
Local: Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS-SP)
Av. Europa, 158, Jardim Europa
Ingressos: na bilheteria - R$ 12,00 (inteira) e R$ 6,00 (meia); pela Internet (via Ingresso Rápido): R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia).
Às terças-feiras, a entrada é gratuita.

Maiores informações podem ser conferidas no site do MIS.

(Atualizado em 23/01/2018)

Gostou desta postagem?
Você pode ajudar o Em Foco a se tornar ainda melhor: acesse https://apoia.se/danielramosemfoco e dê a sua contribuição!


Nenhum comentário:

Postar um comentário