segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Homenageada na entrega do Globo de Ouro, Meryl Streep faz críticas duras a Donald Trump

Meryl Streep durante a entrega do Globo de Ouro 2017: críticas duras
a Donald Trump (foto: Paul Drinkwater/NBC/AP)

Na noite deste domingo (08), foi realizada a cerimônia de entrega do Golden Globe Awards - ou, simplesmente, Globo de Ouro - nos EUA. Esta cerimônia é considerada por muitos uma espécie de prévia do Oscar, entregue em meados de março.
O prêmio é entregue pela Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood.

Mas, mais do que os prêmios entregues e os potenciais postulantes a uma estatueta do Oscar deste ano, a cerimônia do Globo de Ouro ficou marcado por um momento profundo e inusitado: a atriz Meryl Streep, uma das mais renomadas de Hollywood, foi homenageada com uma estatueta pelo conjunto de sua obra; e ao receber o prêmio, fez um discurso duro e não poupou críticas ao presidente eleito dos EUA, Donald Trump, que assume o cargo de vez no próximo dia 20.

Durante o discurso, a atriz, de 67 anos e muitos filmes no currículo, ressaltou o fato da participação de estrangeiros dentro do cinema americano - uma clara crítica ao discurso anti-imigração de Trump, que prometeu, entre outras coisas, construir um muro na fronteira com o México e expulsar imigrantes do país.
"O que é Hollywood? É um grupo de gente que vem de todas as partes. Eu nasci, cresci e me eduquei nas escolas públicas de Nova Jersey. Viola [Davis] nasceu numa cabana da Carolina do Sul e cresceu em Central Falls, Long Island. Sarah Paulson nasceu na Flórida e foi criada por sua mãe solteira no Brooklyn. Sarah Jessica Parker era uma de sete ou oito filhos em Ohio. Amy Adams nasceu na Itália, e Natalie Portman, em Jerusalém. Onde estão suas certidões de nascimento? (...) De modo que Hollywood está cheia de estrangeiros e forasteiros, e se querem expulsar todos nós, vão ficar sem nada para ver além de futebol americano e artes marciais mistas, que NÃO são artes", disse a atriz.

No mesmo discurso, Meryl Streep chamou a atenção para um outro fato da campanha de Trump que ficou marcado: um momento durante um comício do então candidato republicano à presidência americana no qual ele ironizou um jornalista portador de deficiência física.
"
Houve uma atuação neste ano que me impactou, que mexeu com o meu coração. Não por ter sido boa, não tinha nada de boa, mas era eficaz e funcionou. Fez a plateia a que se destinava rir e mostrar os dentes. Foi aquele momento em que a pessoa que pedia para se sentar na cadeira mais respeitável do nosso país imitou um repórter deficiente. Alguém a quem ele superava em termos de privilégio, poder e capacidade de se defender. Isso me partiu o coração. Ainda não consigo tirar aquilo da cabeça, porque não era um filme. Era a vida real".

Meryl Streep ainda fez uma crítica à postura agressiva e radical de Trump, adotada durante à campanha, e cobrou uma atitude da imprensa para fiscalizar o futuro governo: "Esse instinto de humilhar, quando modelado por alguém na plataforma pública, por alguém poderoso, se filtra na vida de todo mundo, porque de certa forma dá permissão para que outras pessoas façam o mesmo. Desrespeito atrai desrespeito. A violência incita a mais violência. Quando os poderosos usam sua posição para abusar de outros, todos perdemos (...) Precisamos que a imprensa com princípios exija responsabilidade do poder, que o chame às falas por cada atrocidade que cometer. Por isso, os fundadores do nosso país protegeram a imprensa e suas liberdades na Constituição. Assim, só quero pedir à rica Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood e a todos que pertencemos a esta comunidade que se unam a mim no apoio ao comitê para a proteção dos jornalistas. Porque vamos precisar deles daqui por diante. E eles vão precisar de nos para salvaguardar a verdade".

Donald Trump: "Meryl Streep é uma puxa-saco de Hillary"
(foto: Reprodução)
Após a cerimônia, o presidente eleito não demorou a se manifestar sobre o discurso de Meryl Streep, e logo foi mostrando que não leva desaforo pra casa. Em entrevista ao jornal The New York Times já na manhã desta segunda (9), Donald Trump declarou que não assistiu ao discurso da atriz, mas não ficou surpreso com os ataques - Trump os associou ao fato de Meryl Streep ser apoiadora da candidata derrotada nas eleições, Hillary Clinton, do Partido Democrata.
Em sua conta no Twitter, Trump ainda fez críticas incisivas contra a atriz: "Meryl Streep, uma das atrizes mais superestimadas de Hollywood, não me conhece, mas me atacou ontem no Globo de Ouro. Ela é uma puxa-saco de Hillary, que perdeu feio nas eleições", disse o bilionário na rede social.
Trump ainda negou que tenha ironizado um repórter deficiente em sua campanha presidencial: "Eu jamais faria isso. Apenas respondi "brincando" pra ele quando ele mudou uma história de 16 anos atrás, escrita por ele mesmo, apenas para me atingir. Só um exemplo de mídia desonesta!" 

Francamente... Meryl Streep está coberta de razão. Ainda não consigo entender como os americanos conseguiram eleger um lunático como Donald Trump, que durante toda a sua campanha, usou um discurso intolerante, racista, xenófobo e radical. E ainda há a suspeita de que houve a interferência dos russos na eleição, que estariam interessados na vitória do republicano.
A verdade é que sou contra qualquer tipo de intolerância - seja de raça, de gênero, de origem, de religião, etc... e durante toda a campanha presidencial, Trump demonstrou ser a intolerância em pessoa.
Enfim... vamos ver que rumos a maior nação do mundo tomará a partir do próximo dia 20... e esperemos que, assim como Meryl Streep disse em seu discurso, a imprensa americana fiscalize o governo e exponha qualquer tipo de excesso que vier a ser cometido.
Pois como Meryl disse, o exemplo vem de cima... se uma pessoa que chega ao poder acha que pode fazer o que quer, as pessoas tendem a segui-la e pensar o mesmo (o tipo de coisa que a gente cansa de ver por aqui...).
Vamos todos ficar de olho...

(Fontes: El País Brasil, G1)

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