segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Exposição sobre a arte da África no SESC Belenzinho

Uma das salas da exposição "AquiÁfrica"
(fotos: Daniel Ramos)
 
Neste sábado estive no SESC Belenzinho para conferir a exposição "AquiÁfrica", que traz trabalhos de 20 artistas do continente.
São obras em diversos formatos - desde a fotografia, passando pelas gravuras, pinturas e até grandes intervenções.


O principal objetivo desta exposição é chamar a atenção do público para a África, através dos diferentes pontos de vista dos artistas expostos. Ao todo, 20 artistas participam desta mostra, oriundos de diversos cantos do continente africano.
Cada artista, por meio de suas obras, demonstra um ponto de vista bastante singular, além de preocupações com problemas que são uma constante no continente africano, como a pobreza e a corrupção.
Uma outra questão constante nessas obras é a própria identidade cultural africana.

Intervenção intitulada "O Conquistador", do senegalês Omar Ba


Algumas obras chamam a atenção pelo sarcasmo. Um bom exemplo disso é a série fotográfica O Parlamento, de Kudzanai Chiurai, fotógrafo do Zimbábue radicado na África do Sul.
Nesta série, o artista retrata de forma exagerada e irônica figuras políticas de um gabinete de governo. Estas obras impressionam pela composição e pelo tom tragicômico.

"O Ministro das Finanças", de Kudzanai Chiurai

Outras peças são, no mínimo, inusitadas. Por exemplo: quem olha pela primeira vez para as esculturas do ganês Samuel Kane Kwei não consegue imaginar que na realidade elas se tratam de... caixões?!
Isso mesmo. Samuel herdou de seu pai a tradição de confeccionar caixões decorados que refletissem a vida dos falecidos. Tratam-se de peças bem trabalhadas e com um capricho sem igual.

"Caixão Mercedes", de Samuel Kane Kwei

Críticas sociais são uma constante entre alguns dos artistas expostos - isto fica claro nas telas do pintor congolês Chéri Samba, que faz uma crítica impiedosa a autoridades locais e ao modo como o resto do mundo encara o continente africano.
Samba é reconhecido internacionalmente, e tem peças presentes em coleções como a do Museu de Arte Moderna de Nova York, por exemplo.

"O Comum dos Políticos", uma das sátiras impiedosas de Chéri Samba

Uma das peças que mais chama a atenção é a intervenção Estrada Para o Exílio, do camaronês Barthélémy Toguo - um barco enorme repleto de trouxas de pano, navegando sob um mar de garrafas de plástico recicladas (um tipo de material comum nos trabalhos do artista). Um retrato da questão migratória - de pessoas que fogem da miséria do continente em busca de uma vida melhor.

"Estrada Para o Exílio", de Barthélémy Toguo

Em meio a tantas sátiras e críticas sociais, há também espaço para o lúdico. Em Vênus, o congolês Rigobert Rimi demonstra inspiração em filmes de ficção científica e desenhos animados, e traz uma composição divertida e também complexa. Para este artista, a imaginação é um meio de aliviar o sofrimento e os problemas da vida cotidiana.

"Vênus", de Rigobert Rimi

Há muito o que ser explorado em "AquiÁfrica". É uma verdadeira viagem pelo continente africano através da arte - e um encontro com diversos pontos de vista que demonstram preocupação com os problemas do continente, e também com a identidade cultural do povo africano.
A exposição fica no SESC Belenzinho até o dia 28/02. Imperdível!


AquiÁfrica - África Contemporânea Através do Olhar de Seus Artistas

Data: até 28/02
Local: SESC Belenzinho
Rua Padre Adelino, 1000 - Belenzinho (próximo à estação Belém do metrô)
Horário: terça à sexta, das 13 às 21hs; sábados, domingos e feriados, das 11 às 19hs
Entrada Franca

Maiores informações podem ser encontradas no site do SESC: sescsp.org.br/belenzinho


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